domingo, 12 de outubro de 1986

Tanta, tanta

Tanta, tanta, tanta, tanta
Tanta assim
Eu nunca pensei que fosse
Ter em mim
Essa sensação
De alma e coração
Que me faz
Tão
Feliz
Cristo, eu quis paz
Eu, que nada fiz
E tive muito mais
E ainda bis:
Feliz
Demais!
Cristo, eu só quis paz
Tal quase a de Assis
Tal qual dos serviçais
E tive mais
Eu tive
Cris
Cristo, eu quis paz...
E me deste
Tanta, tanta, tanta, tanta
Tanta assim
Que mais do que isso
Só o céu sem fim
Essa imensidão
Essa emoção
Meus olhos
São
Quem diz.


Letra e música de Flávio Fonseca

domingo, 22 de junho de 1986

Dos meus amigos

Teu cabelo anda tão desarrumado
Vi inícios de olheiras em teu rosto
Tenho gosto em te ver menos calado
Ao teu lado, encontrar-te mais disposto.

Valeria repetir-te muitas vezes
Que um beijo une, ordinariamente,
E se é quente, tanto mais se leva meses
Longos meses pra esquecer completamente...

Mas termina-se um dia a espera
E distante de tudo, eu prometo
Nesses tempos acres, te animar

Selo nossa parceria sincera
Doravante é teu este soneto
Quero ouvir-te falar com outro ar.


Letra e música de Flávio Fonseca


Acabei de fazer esta música há uma hora e meia.

Nela me coloco na posição de meus amigos, me dizendo coisas numa fase em que eu estava muito baixo-astral e precisando deles.

Na letra estão escondidos os nomes de oito deles (dez, na verdade) que foram muito importantes nesta fase, por terem dito o que a letra diz, ou simplesmente por estarem por perto. Naturalmente, não deu pra citar todos. Os citados foram (ordem alfabética): Alarcon, Cristiane, Dora, Júnior (o Aroldo e o Ronaldo), Luanda, Marcelo, Valéria (a Fajardo e a Fontenelle) e Vinícius.

Dedico a música a todos os não citados (Simoninha, Ana Maria, Duda, Flôr, Simone Néri, Lilian, Hosana...).

quinta-feira, 19 de junho de 1986

Sobre a dor

Toda dor é combustível
Para voos mais além
E voar é impossível
Com a dor que não se tem

Cada dor é alimento
Fortalece o despertar
Poesia é o aumento
Desse dom de alimentar

Quando dói no fundo o peito
É sinal que se cresceu
O pior já está feito
E no fim há o proveito
Do sustento do Eu

Se chorar é um consolo
Não chorar é bem melhor
Cada ato é um tijolo
E o amor, pedreiro-mor.


Letra e música de Flávio Fonseca
Gravada no CD A Força que Ecoa em Todo Canto, em 16 Mai 1996.
Traduzida para o esperanto por Sylla Chaves, e incluída no livro Brazila Esperanta Parnaso, em 2007.

Em 10 Jun 1996, recebi do meu amigo poeta Márcio Vianna o seguinte fax:

Flávio, somente neste fim-de-semana "enforcado" consegui, realmente, curtir o seu disco. Gostei demais. Parabéns! Gostei da cara nova do que eu já conhecia, e gostei demais do que ainda não conhecia. Adorei especialmente "Sobre a dor". Gostei tanto, que...

Dor sobre dor
(letra de Márcio Vianna sobre música de Flávio Fonseca)

Nossa dor, insuportável,
se vivida em solidão,
pois pior que sofrer juntos
é a dor da separação!

Se somar é condividir,
não somar é diminuir:
reduzir-se a dois nadas
e por zero multiplicar!

Quando não se vê mais jeito
é a hora de apertar
um e um de encontro ao peito
e só assim há o proveito
daquilo que doeu!

Quando dois estão unidos
e em nome d'O Amor,
há a chance d'O Milagre
vir no meio se interpor!...

segunda-feira, 25 de novembro de 1985

Essencial

Nossa essência hoje se apercebeu
De que quando dorme, o corpo é feito pedra;
Tudo é novo reinício após a queda
E a luz do que se faz nem se acendeu...

Quando sonha, sempre viva, nossa essência,
É vibrante como um lindo vegetal,
Que já sabe com certeza o ritual
De no claro saciar sua carência.

E o amor se manifesta essencialmente
Quando o ser, feito animal que ora ousa,
Ora dá-se por vencido e repousa,
Já se agita e é quase adolescente.

Mas é quando a essência acorda mais
E repara no outro céu que há na vida,
Que ela prova a alegria de ser tida
Como humana e verdadeira mãe da paz!

domingo, 3 de novembro de 1985

Labirinto

Se eu te amo, meu amor é tranquilo;
Se eu choro, o meu pranto é bonito;
Se eu falo, o que digo é aquilo
Que se esprai dentro do infinito.

Se é saudade o que mexe comigo,
Te rever não altera o que sinto,
Pois o tempo eterno é exíguo
Pra me achar nesse teu labirinto.

O pesar do silêncio é tanto,
Que a dor já é quase antiga.
Se é divino o que anima o meu canto,
Não me conte, pra que ele prossiga.

Esse abraço que a vida merece
É o que acende e mantém minha infância,
Que, em suma, é o que tem importância,
Pela qual esse som permanece.


Letra e música de Flávio Fonseca

terça-feira, 10 de setembro de 1985

Cristalina

Purpurina sob a luz do sol
Anilina doce num bombom
Pequenina lua de cristal
Tua sina canta mais que o som

Tão menina como a floração
Alcalina pilha de amor
Feminina sopro sensual
Qual usina plena de calor

Na retina sonhos de voar
Repentina sede de crescer
Janaína em um lago azul
Cristalina chama bem-querer.


Letra e música de Flávio Fonseca

quinta-feira, 6 de junho de 1985

Dia de luar (adendo)

Sonho, livra este teu filho
De sonhar só sonho vão
Outro túnel, mundo que não vem
Luz inútil na escuridão
Pois
O que vale é como despertar


Estrofe para ser acrescentada à música Dia de luar