A vontade de te ver aumenta cada vez mais e, não sei por que capricho da psicologia, já se me afigura como uma saudade. É como se já nos conhecêssemos pessoalmente, e eu estivesse sentindo falta da tua presença. Rever o não visto - só mesmo em poesia se entende isto.
(Extraído de uma carta para a amiga por correspondência Rosana, que nunca cheguei a encontrar pesoalmente.)
sexta-feira, 3 de setembro de 1982
segunda-feira, 19 de julho de 1982
Pro papai e pra mamãe, do Rodrigo
Mamãe,
Eu queria saber falar
Dessas coisas do coração
Eu queria poder mostrar
Toda a minha emoção.
Sou feliz simplesmente
Porque sou seu neném.
Você que me entende,
Me ensina, me chama,
Diz que sou teu dono,
Você, minha ama,
E, na hora do sono,
Teu colo é minha cama.
Papai,
Se eu tivesse que escolher
Eu queria nascer assim:
Sendo o filho que quis ter,
Tendo você para mim.
Cada tanto que cresço,
Você cresce também.
E eu lhe agradeço
Em tudo que digo,
Por tudo que devo,
Obrigado, amigo.
E embaixo escrevo:
Assinado — Rodrigo.
Letra e música de Flávio Fonseca
Composta por ocasião do nascimento do filho do meu amigo Carlos Bivar.
Eu queria saber falar
Dessas coisas do coração
Eu queria poder mostrar
Toda a minha emoção.
Sou feliz simplesmente
Porque sou seu neném.
Você que me entende,
Me ensina, me chama,
Diz que sou teu dono,
Você, minha ama,
E, na hora do sono,
Teu colo é minha cama.
Papai,
Se eu tivesse que escolher
Eu queria nascer assim:
Sendo o filho que quis ter,
Tendo você para mim.
Cada tanto que cresço,
Você cresce também.
E eu lhe agradeço
Em tudo que digo,
Por tudo que devo,
Obrigado, amigo.
E embaixo escrevo:
Assinado — Rodrigo.
Letra e música de Flávio Fonseca
Composta por ocasião do nascimento do filho do meu amigo Carlos Bivar.
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sexta-feira, 12 de março de 1982
Parceiros
Hoje minh’alma canta
Os versos que eu aprendi contigo
Sonho com teus enredos
A tua luz agora está comigo
Não pense mais em adormecer
Alma por alma, nós somos irmãos
Vamos na rota do amanhecer
Antes que o tempo desate as mãos
Lúcidos como um amante
Ébrios de tanto vigor para dar
Rindo, cantando e juntando
Ilhas em um só pedaço de mar
Assim ao teu lado estarei
Como parceiro de um mesmo ideal
Minhas palavras são cópias das tuas
És o começo, eu sou o final.
Letra e música de Flávio Fonseca.
Gravada no LP Luz do Ar em Dezembro/89.
Acróstico em homenagem à minha amiga poetisa Hosana.
Os versos que eu aprendi contigo
Sonho com teus enredos
A tua luz agora está comigo
Não pense mais em adormecer
Alma por alma, nós somos irmãos
Vamos na rota do amanhecer
Antes que o tempo desate as mãos
Lúcidos como um amante
Ébrios de tanto vigor para dar
Rindo, cantando e juntando
Ilhas em um só pedaço de mar
Assim ao teu lado estarei
Como parceiro de um mesmo ideal
Minhas palavras são cópias das tuas
És o começo, eu sou o final.
Letra e música de Flávio Fonseca.
Gravada no LP Luz do Ar em Dezembro/89.
Acróstico em homenagem à minha amiga poetisa Hosana.
sexta-feira, 11 de dezembro de 1981
É só no domingo que eu tenho o direito de te visitar: seu pai não permite, e você, com efeito, precisa estudar. Mas eu não concordo que fiquem pensando errado de mim; se eu te procuro, estou te amando, e muito! É sim!
E olha: garanto que estou animado pra te ajudar. Não sei muita coisa, mas, sendo a seu lado, prometo tentar. (Faz tempo que eu nem sequer me pergunto o que é estudar; mas agora é sério, afinal, o assunto é seu vestibular.)
Também não aceito te ver todo dia, escondido, assim. Parece brinquedo de "amor fantasia", e isso é ruim! Amor não é "hobby"; corrermos perigo não tem nenhum fim. Seu pai do meu lado é mais um amigo a trazer-te pra mim!
Brasília, 1/10 e 11/12/81
E olha: garanto que estou animado pra te ajudar. Não sei muita coisa, mas, sendo a seu lado, prometo tentar. (Faz tempo que eu nem sequer me pergunto o que é estudar; mas agora é sério, afinal, o assunto é seu vestibular.)
Também não aceito te ver todo dia, escondido, assim. Parece brinquedo de "amor fantasia", e isso é ruim! Amor não é "hobby"; corrermos perigo não tem nenhum fim. Seu pai do meu lado é mais um amigo a trazer-te pra mim!
Brasília, 1/10 e 11/12/81
segunda-feira, 12 de outubro de 1981
Nesga de céu
Uma nesga de céu visitando meu quarto
Me abate de fraco, me enche de azul.
Pela aberta janela entrou de mansinho
E meu único medo é que queira fugir.
Uma fresta no teto se abriu em silêncio,
Como pra vigiar minha nesga de céu.
Ela fica num canto, me olhando de longe
E eu fico sorrindo, olhando pra lá.
Não importa por que ou pra que ela veio;
Interessa apenas que fique ali
Se escondendo e, no entanto, azulando meu rosto,
Para que o meu ser nunca deixe de ser
Uma nesga de céu visitando teu quarto
Te abate de fraca, te enche de azul.
Pela aberta janela entrou de mansinho
E teu único medo é que queira fugir.
Uma fresta no teto se abriu em silêncio,
Como pra vigiar tua nesga de céu.
Ela fica num canto, te olhando de longe
E tu ficas sorrindo, olhando pra lá.
Não importa por que ou pra que ela veio;
Interessa apenas que fique ali
Se escondendo e, no entanto, azulando teu rosto,
Para que o teu ser nunca deixe de ser
Uma nesga de céu visitando meu quarto...
Letra e música de Flávio Fonseca
Me abate de fraco, me enche de azul.
Pela aberta janela entrou de mansinho
E meu único medo é que queira fugir.
Uma fresta no teto se abriu em silêncio,
Como pra vigiar minha nesga de céu.
Ela fica num canto, me olhando de longe
E eu fico sorrindo, olhando pra lá.
Não importa por que ou pra que ela veio;
Interessa apenas que fique ali
Se escondendo e, no entanto, azulando meu rosto,
Para que o meu ser nunca deixe de ser
Uma nesga de céu visitando teu quarto
Te abate de fraca, te enche de azul.
Pela aberta janela entrou de mansinho
E teu único medo é que queira fugir.
Uma fresta no teto se abriu em silêncio,
Como pra vigiar tua nesga de céu.
Ela fica num canto, te olhando de longe
E tu ficas sorrindo, olhando pra lá.
Não importa por que ou pra que ela veio;
Interessa apenas que fique ali
Se escondendo e, no entanto, azulando teu rosto,
Para que o teu ser nunca deixe de ser
Uma nesga de céu visitando meu quarto...
Letra e música de Flávio Fonseca
quinta-feira, 8 de outubro de 1981
Indo
Indo, calmamente,
Na certeza de chegar.
Indo, mansamente,
Como quem não teme nada;
Não há susto nessa estrada
Que me faça recuar.
Indo, impassível,
A caminho da paixão.
Indo, a cada nível,
Descobrindo voluntários;
Não há um, eu vejo vários
Que se unem, mão na mão.
Indo, confiante,
É preciso a gente crer.
Indo, retirante,
Seja só, acompanhado;
Pesquisando em todo lado,
Procurando por você.
Letra e música de Flávio Fonseca
Na certeza de chegar.
Indo, mansamente,
Como quem não teme nada;
Não há susto nessa estrada
Que me faça recuar.
Indo, impassível,
A caminho da paixão.
Indo, a cada nível,
Descobrindo voluntários;
Não há um, eu vejo vários
Que se unem, mão na mão.
Indo, confiante,
É preciso a gente crer.
Indo, retirante,
Seja só, acompanhado;
Pesquisando em todo lado,
Procurando por você.
Letra e música de Flávio Fonseca
segunda-feira, 5 de outubro de 1981
Ensaios
Descrição de cena:
Pela terceira vez ele põe a caneta entre os dentes, entretendo-se em girá-la com a ponta dos dedos, enquanto seus olhos fixam a pauta à sua frente. Esforça-se pra ter uma ideia que dê continuidade ao trecho que sua inspiração há pouco ditara. Larga a caneta e devolve os dedos ao violão, repetindo o pedaço de melodia já pronta.
Descrição de ambiente:
Um copo de cristal, transparente, cheio d'água até o meio, repousa em cima da mesa. A mesa é redonda, forrada de uma toalha branca de fino linho que esconde o rico verniz sobre a madeira de jacarandá. Uma única coluna cilíndrica a sustenta, apoiada sobre o tapete felpudo que cobre todo o chão do aposento, passando por baixo do piano alemão de meia cauda, do sofá de macio estofado azul claro, da estante repleta de romances de todos os tempos e do armário de bar, vazio, encostado no canto mais obscuro da sala, como se não fosse usado há anos. Do teto pende um lustre não muito ornamentado, que deixa escapar uma luz amarelada, transformando o lívido das paredes nuas, trespassando a vidraça da janela sem cortinas, atirando-se rua afora pela porta aberta. Da soleira da porta, um par de olhos observa todo o ambiente, fascinado por um copo de cristal transparente, cheio d'água até o meio, em cima da mesa.
Pela terceira vez ele põe a caneta entre os dentes, entretendo-se em girá-la com a ponta dos dedos, enquanto seus olhos fixam a pauta à sua frente. Esforça-se pra ter uma ideia que dê continuidade ao trecho que sua inspiração há pouco ditara. Larga a caneta e devolve os dedos ao violão, repetindo o pedaço de melodia já pronta.
Descrição de ambiente:
Um copo de cristal, transparente, cheio d'água até o meio, repousa em cima da mesa. A mesa é redonda, forrada de uma toalha branca de fino linho que esconde o rico verniz sobre a madeira de jacarandá. Uma única coluna cilíndrica a sustenta, apoiada sobre o tapete felpudo que cobre todo o chão do aposento, passando por baixo do piano alemão de meia cauda, do sofá de macio estofado azul claro, da estante repleta de romances de todos os tempos e do armário de bar, vazio, encostado no canto mais obscuro da sala, como se não fosse usado há anos. Do teto pende um lustre não muito ornamentado, que deixa escapar uma luz amarelada, transformando o lívido das paredes nuas, trespassando a vidraça da janela sem cortinas, atirando-se rua afora pela porta aberta. Da soleira da porta, um par de olhos observa todo o ambiente, fascinado por um copo de cristal transparente, cheio d'água até o meio, em cima da mesa.
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