sábado, 30 de agosto de 1997

O ponto de partida da emoção

Minha amiga,
todos nós somos pontinhos,
pequeninhos,
mas que guardam coração,
qual semente,
que parece esquecida,
mas é vida
preparando a explosão
comovida,
pois que brilha e que sente
como a gente
que irradia vibração
(precisamos
ver com naturalidade
a verdade
que envolve esta questão).

Nós amamos,
mesmo sem ter explodido,
e contidos
numa má situação;
e há seres
com tamanha exuberância,
numa ânsia
de mostrar o que não são,
numa briga
que não levará a nada,
qual pancada
que se dá em furacão,
e pensando
que viver em outro nível
é possível
sem amor e união...

E só quando,
já cansados e sedentos
de momentos
de real evolução,
perceberem
que não há nada lá fora,
eis a hora
de dar nossa opinião.
E diremos,
nós que já fomos cansados,
escoltados
pela nossa solidão,
que devemos
ver em nós nossos caminhos:
os pontinhos
de partida da emoção.


Para a poetisa Áurea Lúcia

sábado, 30 de março de 1996

Onde quer que eu vá

Vou viajar
Voar sobre o mar
Eu vou passear
Levando meu coração
E então vou amar
Onde quer que eu vá
Vou levar minha voz
Porque nós somos feitos de som
É tão bom!
Vou tocar, vou cantar
O meu Brasil
Onde quer que eu vá.


Escrita sobre música de Rubens Holzmann.
Gravada no CD A Força que Ecoa em Todo Canto.

terça-feira, 12 de março de 1996

Asa delta

Voar
Sem razão pra temer
Só pelo prazer que dá
Reviravoltar no ar

Não há
Sensação de não ser
Quase não querer voltar
Desse doce volitar

Em paz
— Deixa o corpo dormir! —
E qual asa delta
Sentir-se leve


Escrita sobre música de Josué Bueno.
Gravada no CD A Força que Ecoa em Todo Canto.
Gravada pela cantora Vanja Santos, no CD Virtual Bossajazzsamba, na Dinamarca.

domingo, 10 de março de 1996

Bola na parede

Joga a bola na parede e a bola volta
Leva a vida na revolta e a vida chia
Joga a bola para cima e ela vai ao piso
Leva a vida no sorriso e na alegria

Voa sempre para o alto e ganha altitude
Lança a pedra no açude e a pedra afunda
Passa o dedo na gilete e o dedo corta
Deixa aberta a comporta e a água inunda

Um abraço no amigo e a amizade aumenta
Mas se for um xingamento o malquerer se acirra
Quando o fósforo se acende a chama ilumina
Cai um corpo na piscina e a água espirra

Tem um pensamento lindo e a beleza invade
Ama com sinceridade e o amor te pega
Abre os olhos, fica atento para ver o muro
Fica um tempo no escuro e a luz te cega

Bate à porta com respeito e a porta abre
Pede vinho ou vinagre e terás de graça
Busca mesmo com vontade e um dia acha
Não descuida, não relaxa, que o tempo passa

Põe um peso numa rede e a rede arria
Sintoniza e vigia pra ver se não erra
Toda ação traz reação de jeito tão perfeito
Tudo é causa e efeito nessa nossa Terra.

Joga a bola na parede e a bola volta
Leva a vida na revolta e a dor se planta
Joga a bola para cima e ela vai ao piso
Leva a vida no sorriso e a vida canta


Letra e música de Flávio Fonseca

quarta-feira, 24 de novembro de 1993

Ver

Quero ver
Flores verdes a conceber
Calmos frutos a reverter
As marés do acontecer
A fiar, tecer

Posso ver
Um futuro além do ser,
Luzes novas a rebentar,
Irromper, brotar
Recomeçar

Luz planalto
Ar pulsante
Azul amor

Sonho ver
Ecológicas mansidões
Paraísos, imensidões
Céus e nuvens nos corações
E por gerações

Ouso ver
A cidade gerando sons
Dia-a-dia a construir
Definir, sentir
Pra onde ir.


Letra e música de Flávio Fonseca

sexta-feira, 8 de outubro de 1993

Devo ir por um caminho
onde não se vai a esmo
(quem quiser que me imite):
inscrever-me assim sozinho
num duelo sem limite:
duelar comigo mesmo.

domingo, 28 de março de 1993

Quanto mais barulho eu ouço, mais silêncio eu faço.