sábado, 23 de fevereiro de 1980

Vê se entende

Ei, eu te quero, mas sou cauteloso.
Eu te preciso, mas eu te espero.
Eu te adoro, mas eu sou mais eu.
Estou a teu lado, mas nem me dou conta.
Sei que te tenho, mas nem me interesso.
Tu vens comigo, mas deixas-me tonto.
Tanto me beijas, mas já não aguento.
Quero-te perto, mas eu não repito.
Vê se entende, pois, ei, eu te quero!
Sou cauteloso, pois eu te preciso!
Eu te espero, pois eu te adoro!
Eu sou mais eu, pois estou a teu lado!
Nem me dou conta, pois sei que te tenho!
Nem me interesso, pois tu vens comigo!
Deixas-me tonto, pois tanto me beijas!
Já não aguento, pois quero-te perto!
Eu não repito, pois, vê se entende!


Letra e música de Flávio Fonseca

segunda-feira, 11 de fevereiro de 1980

Muros, vales, invasões

Sonhar uma razão qualquer
Por apenas um momento
Sonhar feito criança
Sem saber que se está a sonhar

Muros, vales, invasões
Noções disformes
De um tempo que passou
Sem nem deixar
Aviso, um apito final

Voar entre as emoções
Por apenas seus momentos
Voar pelas estrelas mil
Sem olhar pros caminhos que voltam

Risos, gritos e apelos
Amores feitos
De um tema infantil
Que vencerá
Seus muros, os seus vales, invasões.


Letra e música de Flávio Fonseca & Ronaldo Pellicano

Voo aberto

Pelas andanças por Minas
Encontrei a plenitude da sensação
De se estar com alguém,
Se encontrar sobre as nuvens deste verão.

E voar sobre as asas de um grande avião
E pairar sobre os montes desta linda região
E sentir a coragem de um voo aberto ao céu
E mostrar a audácia de viver, de viver, de viver, de viver.

Pelas andanças por Minas...

E jogar para o alto mais um grito de amém
E lançar uma chama refletindo-te também
E deixar a viagem prosseguir até o além
E ensinar a vantagem de viver, de viver, de viver, de viver...


Letra: Flávio Fonseca & Ronaldo Pellicano
Música: Flávio Fonseca

quinta-feira, 24 de janeiro de 1980

Transmissão

Você que está aí
Nesse lugar inacessível
Ao som de minha voz,
Que se encontra em posição
Para não recepção
De minhas débeis tentativas
De uma comunicação,

Procure se informar
Com alguém que possa ouvir
Os apelos que derramo
Passo a passo, canto a canto,
Espalhando aos quatro cantos
Esta tímida mensagem
De amor, compreensão.

Depois, quando sair
De seu refúgio e me encarar,
Terá tudo pra entender
Os caminhos de seu rumo,
Por mais longe que se encontre,
Para assim ter mais coragem
De vir a mim, para amar.


Letra e música de Flávio Fonseca

terça-feira, 11 de dezembro de 1979

Sentimental

Sinto-me sentimental,
Mas não me sinto inspirado
Começo a juntar palavras,
Nenhuma dá sentido
Nem rima consigo por
São várias as conjugações
Misturo minhas ideias
Às vezes me admiro
De ao menos manter a métrica
(Embora bem mal mantida)
E ao fim, quando quase pronto,
Eu penso em mostrá-lo a ti,
O verso parece morto,
Como se fosse pré-fabricado
Não sei como eu completo
Nem sei se ao menos pude
Fazer-te compreender
Que o meu grande objetivo
Quando pus-me a rabiscar
Era dizer-te o quanto amo
Cada passo do teu viver.


Letra e música de Flávio Fonseca

quarta-feira, 1 de agosto de 1979

Luz vazia

Moça, a lua chora a tua ausência,
A falta do calor do teu olhar
Que deixa meu olhar sempre na espera
Do reflexo no espelho do luar.

Moça, em minha vida é tão constante
O hábito de olhar pros raios frágeis
De luz que pouco a pouco vem chegando
Em meus olhos, para os raios, navegáveis.

Moça, tu navegas como balsa,
De manso, sem olhar, porém, pras águas
Que singras e que levam-te ao porto
Onde encontras, e não vês, as minhas mágoas.

Moça, tu resides decidida
Em meio a memórias flutuantes
Que quando condensadas me transmitem
Impressões de ser feliz como era antes.

Moça, eu te peço, e repito,
Não deixes de olhar pra uma lua
Que toda noite nasce e se preza
De um dia ter brilhado por ser tua.


Letra e música de Flávio Fonseca

quinta-feira, 5 de julho de 1979

Sinto-me de um concretismo profundamente subjetivo, e de um romantismo estranhamente complexo.